sexta-feira, 6 de maio de 2016

VASELINA NAS FORMIGAS

Em nosso lar podemos ter dois tipos de animais: domésticos e sinantrópicos. Os primeiros criamos com a finalidade de companhia, como cães, gatos, pássaros (quando autorizados) ou mantemos para a produção de alimentos ou transporte que são os casos de galinha, boi, porcos, cavalos e etc. Já os sinantrópicos, são aqueles que se adaptaram a conviver com os seres humanos a despeito da vontade destes. Nesse sentido, destacamos rato, pombo, morcego, barata, mosca, mosquito, pulga, carrapato, formiga, escorpião, aranha, taturana, lacraia, abelha e marimbondo. Podem estar em nossa casa e não foram convidados. Além disso, destacamos que muitos deles podem transmitir doenças e também perturbar a rotina de nossa vida.
É o caso das formigas. Elas aparecem dentro de nosso lar invadindo prateleiras, lixeiras, alimentos sobre a mesa e etc. Quem não guardou aquela fatia de bolo aparentemente bem protegida e na hora de comê-la encontra a guloseima cheia de formigas? Alguns sopram, batem, aquecem no micro-ondas, e sendo possível se livrar dos insetos, comem o bolo assim mesmo – e citam um ditado dos antigos: “... formiga não faz mal, é até bom para os olhos!” Podem estar certo que esse colírio não funciona. Pesquisas já revelaram a contribuição das formigas em processos de infecção hospitalar. Sendo assim, nada impede que estas também deem sua contribuição relativa à proliferação de doenças em seu lar.
Combater as formigas em nossa casa surge como uma necessidade para o nosso conforto e segurança. Inseticida comprado no desespero diante de uma invasão desses animais surte algum efeito de pouca durabilidade e riscos de intoxicações de seres humanos ou animais domésticos. Passado o tempo de efeito destes produtos químicos, as formigas voltam com mais energia (e fome). Contratando uma empresa especializada os efeitos são mais duradouros e seguros para as pessoas e animais de criação. Contudo, tais empresas cobram pelos seus serviços e nem todos os lares deste país tem condições financeiras para arcar com os custos.
Podemos nós mesmos iniciar um combate contra as formigas invasoras. Em primeiro lugar temos que entender que se elas estão dentro de nossa casa é porque nos mesmos criamos condições para tal. As formigas (animais sinantrópicos) frequentam nosso lar por conta da comida que precisam para se alimentar e que encontram a disposição dentro de nossa residência. Nesse sentido, não existe nada mais convidativo que as latas de lixo e, principalmente, aquela lixeirinha que fica em cima da pia.
Se puder evitar a exposição prolongada e sempre cheia dessa pequena lixeira sobre a pia estaremos contribuindo em muito para evitar as formigas. Caso isso não seja possível, use vaselina.
Exatamente! Unte circularmente a vasilha da lixeira. Faça uma trilha de vaselina em seu entorno de aproximadamente uns dois “dedos” de largura. Dessa forma, as formigas não conseguirão entrar na lixeira, pois, a vaselina gruda (igual visgo de jaca) as ditas cujas. Por “instinto” esses insetos já sabem que a vaselina é perigosa para eles e evitam seu contato.
A idéia em torno desse processo é que embora não matando as formigas, não a deixamos se alimentar – e elas só estão dentro de nossa casa por causa do alimento que expomos a elas. Não conseguindo comer, as formigas “caem fora”, indo procurar alimento onde seja possível.
A vaselina nestas condições não afeta a saúde de ninguém, nem mesmo dos animais domésticos como os cães. E estes, são as maiores vítimas das formigas quando estas invadem sua vasilha de ração. Quem não passou por essa experiência: o totó com fome tentando comer e as formigas invasoras não deixando. O cão esparrama no desespero da fome toda a ração pelo chão para se livrar das esfomeadas formigas - e faz aquela confusão que acaba em mais trabalho para você.
Passe vaselina nas bordas da vasilha de ração da mesma forma como ensinado acima para as pequenas lixeiras da pia. Em pouco tempo seu cão vai adquirir bons hábitos ao se alimentar sem precisar esparramar ração pelo chão ou evita-la e ficando com fome o dia inteiro. Seu cão vai engordar e as formigas por impossibilidade não vão mais invadir a dispensa canina.
Quanto ao uso de vaselina nas bordas ou corpo da vasilha de ração dos cães, acuso um caso “sui generis” de cachorro que lambeu a vaselina todinha que untava o seu prato de refeição. Não fez mal a ele e só contribuiu com as formigas. É bom testar se o seu “canino” não tenha o mesmo gosto, antes de utilizar esse processo.
No mais, sua criatividade com vaselina no combate as formigas que invadem o seu lar é o mais importante. Invente, aperfeiçoe e “vaseline” esses animais sinantrópicos. A vaselina poderá não matar, mas impedirá que as formigas alcancem os alimentos de que tanto necessitam e com isso diminuem sua ação ou afastam-se de sua casa.

quarta-feira, 9 de março de 2016

O MATO PODE ESTAR PROTEGENDO SUA CASA

Quem mora em área urbana localizado na parte inferior de uma encosta (um morro, por exemplo!) não deve temer a vegetação que por ventura possa existir nesse solo inclinado. Ao contrário, mato é bom para fixar o terreno através de suas raízes e evitar que no caso de erosão ocorra deslizamento de terra na direção do imóvel.
Infelizmente, a maioria dos “urbanos”, pessoas cujo ambiente perfeito de moradia é sentido como composto de concreto e asfalto, não tem a devida percepção da realidade. A maioria, principalmente donas de casa apavoradas com “os bichos do mato” que possam aparecer forçam seus maridos a realizarem limpezas que expõem o solo as intempéries do tempo e com isso ao risco da erosão. Esta última é um processo que se inicia com a primeira gota de chuva.
Cada gota de chuva chocando-se contra o solo dispende energia suficiente para desagregar a superfície atingida, criar correntes de água em turbilhão e arremessar partículas do solo a 60 cm de altura e até 1,5 metros de distância. Todo esse processo é conhecido por “splash” - expressão que identifica tecnicamente a força do impacto de uma única gota de chuva. Agora, mediante essa descrição calcule milhares de gotas de chuva chocando contra a superfície de uma encosta desprotegida no fundo de sua casa.
Assim surge um sulco por onde água e sedimentos descem a encosta. Esta é a fase inicial. Com a intensidade da chuva em um dado momento ou no decorrer do tempo, este sulco se transforma em ravina, e a perdurar a constância das chuvas e a exposição desse solo comprometido, surge à voçoroca (*). Claro que muito antes disso quem se descuidou da encosta no fundo da sua casa já se mudou.
Não vamos confundir contenção de encostas, o que ocorre com obras relacionadas à engenharia civil em nível de recurso extremo, com medidas preventivas como a conservação desses planos inclinados. A manutenção da vegetação nesses locais é fácil de ser mantida, além de econômica, e se houver abaixo dela algum paredão de concreto ou similar, estes também serão beneficiados pela vegetação que os antecede em função do fluxo da encosta amortizando o escorrimento das águas.
As folhas dos arbustos arvores e capins, servem de contenção aos impactos das gotas de chuva evitando o efeito “splash” no solo. As gotas acumuladas a partir dai escorrem pelo corpo do vegetal até o solo e desliza por este com impacto menor (quase sem escavar). Desta forma, mantendo e conservando a vegetação da encosta nos fundos de sua casa, qualquer cidadão estará contribuindo preventivamente para se evitar prejuízos maiores e até riscos relacionados à vida humana com os deslizamentos de terra.
(*)- Ou boçoroca, segundo algumas publicações técnicas.

domingo, 21 de fevereiro de 2016

PARAÍSO IMPERMEABILIZADO – Um caso real

O PARAÍSO fica em Paracambi (RJ) e trata-se de um Bairro que teve por iniciada sua ocupação nos primórdios dos anos 1980 do Século passado. Situado em área vizinha a extinta Casa de Saúde Dr. Eiras (que foi o maior hospital psiquiátrico da América Latina), a localidade reflete hoje problemas para si e muito mais em seu entorno. A causa primordial fica por conta do processo de urbanização, através da deficiência de seu esgotamento pluvial na ocorrência de chuvas mais intensas.
Enquanto o assentamento das pessoas ocorria no local que possuía ruas com traçados em terra bruta, sem nenhuma espécie de calçamento, além de contar com centenárias bacias naturais que acomodavam as águas, os problemas não eram intensos. Claro que o desconforto dos pioneiros moradores com lama, umidade e mosquitos aconteciam, porém, era um risco calculado e que ficava limitado ao Bairro em formação.
Com o tempo o Paraíso começou a fazer jus ao seu nome (sob a ótica urbana). Recebeu calçamento com paralelepípedos que acabou evoluindo para asfalto. O primeiro sinal da impermeabilização começa aí. Se antes o piso das ruas absorvia água (apesar da lama), depois, em níveis diferentes essa absorção diminuiu e mesmo parou de existir. Combinando este fator com a construção de casas e outros melhoramentos sob as mais variadas formas em alvenaria, completou-se uma fase da impermeabilização do Bairro.
As existentes bacias naturais foram aterradas e transformadas em lotes vendidos. A planta urbana ficou nivelada encerrando-se a acumulação natural das águas, rompendo o equilíbrio entre o que fica e sai na bacia hidrográfica urbana do Paraíso. Somam-se a isso as impermeabilizações por mãos humanas, mais a restrita capacidade de vasão das águas da chuva por conta do esgoto pluvial construído. O Paraíso passou a acumular e transbordar água. Os moradores em sua parte mais baixa passaram a sofrer com as enchentes e os seus vizinhos da rua mais próxima no Bairro de Lages compuseram o quadro de novas vítimas. Os primeiros sinais desse problema ocorreram a partir do final dos anos 1990.
Em pouco mais de 10 anos o “conforto, segurança e bem estar” da urbanização com asfalto e concreto acaba por conduzir a um novo problema: enchentes provocadas pela impermeabilização do terreno.
Tudo poderia ser evitado se a planificação do loteamento fosse devidamente interpretada pelas autoridades locais e transformada em um projeto com um toque de sustentabilidade. Se isso acontecesse, não haveria enchentes no Paraíso e adjacências.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

O CASO PARACAMBI - Holocausto Vegetal

EM 28 DE JANEIRO de 2016 estará completando quatro anos que a Praça Cara Nova situada em Paracambi (RJ) foi reinaugurada. Para que isso acontecesse à prefeitura da cidade cortou duas dezenas de arvores de grande e médio porte com idades variáveis entre trinta e até mais anos.
Suprimida a estabilizada vegetação arbórea existente, a prefeitura de Paracambi plantou palmeiras e algumas árvores lenhosas, estas últimas, até hoje em fase de crescimento, além de impermeabilizar com concreto e alvenaria a maior parte do solo daquele logradouro. Resultado: os níveis da temperatura do ar aumentaram no local, o solo perdeu boa parte da permeabilidade e extinção da fauna de aves ali existentes a mais de 100 anos.
Resta destacar que originalmente a citada praça foi inaugurada em 24 de maio de 1991 com uma herança de árvores que se reportava ao final do século 19 e inicio do século 20. Isso ocorreu através de doação à prefeitura de área da estação ferroviária (inaugurada por D. Pedro II em 1860) que fica no Centro da sede municipal. Portanto, as árvores da Cara Nova formavam um conjunto ambiental histórico desfrutado por várias gerações de paracambienses.
Se antigamente durante o verão todos procuravam a Praça Cara Nova para se refrescar a sombra de grandiosas arvores, atualmente acontece o contrário com as pessoas fugindo daquele local por ser agora o mais quente do Bairro Centro (sede municipal) de Paracambi.
Até hoje se procura entender qual a lógica não política que levou ao holocausto vegetal da Praça Cara Nova. O Clima urbano sofreu alterações e, obviamente, como reflexo disso, a ilha de calor formada pelo centro da sede municipal passou a ter temperaturas mais altas.
A lógica que embasa esta minha afirmação pode não estar centrada em pesquisa de campo feita no local – mesmo porque está mais do que evidente que hoje a Praça Cara Nova é um “inferno” de calor -, dai ter ganhado o apelido de Praça Micro Ondas por parte dos aposentados frequentadores do local.
Minha opinião está centrada em argumentos científicos com base em estudos e pesquisas nacional e internacional onde se conclui a importância da árvore em sua contribuição ao Meio Ambiente Urbano e ao seu clima.
VEJAM OS DADOS:
Uma arvore em um ano inala em média 22 quilos de carbono e produz oxigênio suficiente para uma família de quatro pessoas viver igual período. Da mesma forma transpira 60 litros de água por dia, o que contribui para baixar a temperatura ambiente. Retendo energia calorífica, uma arvore de porte médio tem um potencial de resfriamento equivalente a quatro aparelhos de ar condicionado. A sombra de uma arvore sobre o asfalto pode reduzir a temperatura em até dois graus Celsius e, finalmente, zonas urbanas arborizadas possuem 60% menos partículas poluentes, além de reduzir a poluição sonora.
Todos esses benefícios naturais foram retirados da Praça Cara Nova quando a prefeitura cortou as arvores e acrescentou mais cimento a sua arquitetura.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

UMA IMAGEM FALA MUITO, MAS A VERDADE FALA MAIS.

RECENTEMENTE o fotógrafo alemão, Kerstin Langenberger, fotografou um urso polar “extremamente magro” sob uma placa de gelo durante sua visita a uma ilha situada entre a Noruega e o Polo Norte. Segundo o mesmo fotógrafo, as condições do animal se deve às mudanças climáticas.
O que este cidadão da Alemanha talvez não saiba é que a realidade dos ursos naquela região do Mar Ártico onde a fotografia foi tirada não se limita a uma única imagem e as aparências daquele momento. Pesquisas publicadas em 2001 pelo Grupo Especializado em Urso Polares da Wolrd Conservation Union destaca que regionalmente ocorre aumento da população desses animais.
A pesquisa ocorrida engloba áreas como a da Baia de Baffin e Mar de Beaufort em latitudes entre 73º e 78º N, quadrante onde também se situa a Ilha de Svalbard - onde se originou a foto do urso em péssimas condições.
Os números levantados indicam que das vinte e duas subpopulações de ursos polares uma ou duas apresentavam diminuição na Baia de Baffin. Mais da metade permanecia estável e duas populações haviam aumentado nas proximidades do Mar de Beaufort. Também existem relatórios citando que a população de ursos aumentou nas últimas décadas - eram cinco mil nos anos 1960 e na década atual sua marca alcança vinte e cinco mil.
Fato curioso é que as duas populações que estavam em declínio vivem em zonas em que o frio aumentou ao longo dos últimos cinquenta anos, enquanto as outras duas populações de ursos que cresceram habitam zonas que estão se tornando quentes.
Estendendo-se até a Baía de Hudson (Canadá), a imprensa vinculada ao alarmismo publicou que a população dos ursos polares teria diminuído em 17% entre 1997 e 2004. Acontece que não foi colocado em evidência que estes animais eram apenas 500 em 1981, 1.200 em 1987 e 950 em 2004, portanto, os números não indicam declínio a partir de 1981 – forma correta de computar.
Outros dados omitidos são de que 300 a 500 ursos são abatidos anualmente por caçadores naquela região (Baias de Baffin/Hudson e Mar de Beaufort).
Finalmente, dois terços dos ursos polares do planeta encontram-se no Canadá Ártico, nação que mais se dedica aos estudos desses animais, e os números do governo daquele país indicavam que das 13 populações de ursos, 11 se encontram estáveis ou em crescimento.
Parece que somente algumas poucas subpopulações de ursos estão declinando, e tudo indica ser pelo excesso de frio.

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

VOCÊ É INOCENTE! O VILÃO PODE NÃO SER O CO2.

A MÍDIA que não possui editoria científica, isto é, profissional devidamente embasado no conhecimento das ciências (mesmo que seja um jornalista de formação acadêmica com pós-graduação respectiva), expõe e expõe-se a constância dos equívocos.
Nestes últimos dias de 2015 tive a oportunidade de ler matéria em um site de uma grande rede de notícias do Brasil. Neste veículo virtual uma blogueira e jornalista profissional afirmava temas sobre a “bagunça” provocada pelo El Ninho no país e no mundo. Até aí tudo bem! O ENSO é tinhoso e “toca rebú” da Califórnia (USA) ao Rio Grande do Sul (BR) – não é novidade!
O que me chamou atenção no texto da jornalista/blogueira é sua tendência resumista de relacionar o seu assunto sobre o clima colocando a culpa no aquecimento global na figura do CO2, conforme os ditames do IPCC, sigla em inglês do Painel Governamental de Mudanças Climática, órgão da ONU. Segundo essa entidade, o aquecimento do planeta é exclusivamente provocado pelo homem através das emissões de CO2 – conceito antropogênico.
Hoje, com a evolução dos estudos a respeito e a participação cada vez maior de abalizados cientistas, as coisas não são exatamente como o IPCC quer que sejam. Existem outras verdades que se somam ao aquecimento global em andamento, e nem todas estão relacionadas ao gás dióxido de carbono (CO2). Aliás, com o aprofundamento das pesquisas em pouco tempo saberemos de fato o que está provocando de verdade as mudanças no clima do planeta.
Neste contexto, voltando a blogueira e sua afirmação antropogênica sobre o aquecimento global, esta expôs bem intencionados leitores ao equívoco de acreditarem ser culpados pelas últimas enchentes na Europa e Sul do Brasil. Já é tempo destes jornalistas assumirem como tal a posição neutra da função, apresentando os dois lados da questão: aquecimento antropogênico (culpa dos seres humanos) e aquecimento provocado por causas naturais. Essa é a única verdade na questão climática atual: o aquecimento pode não ter um único culpado, e este pode até não ser o carbono.